Flecha de Luz

Projeto Educomhorta

Projeto que articula educomunicação socioambiental e agroecologia urbana.

1. Sumário Executivo

A Ecosurfi é uma organização brasileira independente declarada de utilidade pública municipal, comprometida com a defesa do meio ambiente e a cultura de paz, inspirando de forma efetiva a sociedade a mudar de atitudes e comportamentos na busca da sustentabilidade.

“Sendo Homens do mar os surfistas devem compactuar na incessante busca da preservação das praias, mares e oceanos ao redor do nosso Planeta”.

Esta citação foi o elemento conceitual inspirador que os fundadores da Ecosurfi incorporaram para iniciar as atividades da entidade. Constituída em 2000, a Ecosurfi é uma ONG (Organização Não Governamental) sem fins lucrativos idealizada e fundada por surfistas.

Tudo começou com a tentativa de diminuir as agressões que as praias vinham sofrendo no litoral paulista. Com isso alguns surfistas da cidade de Itanhaém/SP, através de mutirões para a despoluição das praias e sensibilização ambiental, começaram a combater a poluição nos ecossistemas litorâneos. Ainda hoje esta frase é o ideal que a Ecosurfi transmite a toda comunidade do surfe pelo litoral brasileiro, incentivando a participação ativa e positiva dos surfistas na gestão das zonas costeiras.

A Ecosurfi trabalha a Educação Ambiental aliada ao esporte surfe como principio norteador para as suas ações. A organização incorpora pessoas de diversas áreas de atuação e de conhecimentos, que se comprometem com o desafio global da construção de sociedades sustentáveis.

 

2. Introdução

O Projeto Educomhorta foi concebido visando articular interesses sociais, calcados nos acontecimentos e contextos comunitários, com o currículo escolar, por meio do desenvolvimento de processos de Educação Ambiental envolvendo práticas agriculturais e educomunicativas. As atividades intuem envolver a comunidade escolar no cuidado com a instituição de ensino, tendo os alunos como sujeitos ativos e transformadores da comunidade..

As atividades estão centradas em desenvolver com os jovens habilidades e valores coerentes com a construção de sociedades sustentáveis. Por meio da horta escolar e agricultura urbana, práticas educomunicativas e incentivo e acompanhamento na organização e participação, por meio da COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola.

Com a Horta Escolar queremos mais do que movimentar o currículo, mas tornar a escola um espaço e um momento agradável para o educando. A horta escolar incorpora a alimentação nutritiva, saudável e ambientalmente sustentável como eixo gerador da prática pedagógica, cristalizando a interdisciplinaridade. Ela é um elo mobilizador e articulador de alunos e professores para se unirem na reflexão sobre como pode e deve ser a escola dos sonhos, na busca de uma Educação Integral.

Em outras palavras, a horta funciona como uma verdadeira sala de aula ao ar livre, onde conteúdos e temáticas se fundem e os alunos aprendem, na relação direta com o tempo da natureza, a encarar a vida com outras perspectivas. A horta escolar tem como foco principal integrar as diversas fontes e recursos de aprendizagem, integrando ao dia a dia da escola uma grande fonte de observação e pesquisa, exigindo uma reflexão diária por parte dos educadores e educandos envolvidos. Ela é um “chamariz” para envolver os jovens, professores e comunidade na constituição da Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (COM-VIDA).

A COM-VIDA tem como principal diretriz a implementação da Agenda 21 Escolar, implicando num plano de ação participativo, elaborado a partir dos sonhos e interesses, sobretudo dos alunos, em relação ao dia-a-dia da comunidade escolar. Trata-se de um processo organizativo que almeja transformar e dinamizar a realidade a partir da intervenção e reflexão dos jovens. E não há como transformar a comunidade sem dialogar com ela.

A divulgação das atividades e a mobilização são essenciais para a COM-VIDA envolver os diversos atores da comunidade. Com práticas educomunicativas os alunos são estimulados a conversar com a comunidade escolar e expressar suas opiniões e idéias, produzindo suas próprias mídias. A educomunicação busca a apropriação e a produção coletiva dos meios de comunicação, trabalhando reflexão crítica da mídia e a autonomia na construção de conhecimento. E isto é uma das coisas fundamentais que esperamos instigar nos jovens que participarem do processo.

Além dos alunos, o projeto envolve também professores e coordenadores e a comunidade do Jardim Veneza. Para os professores são oferecidas formações sobre temas relativos a Educação Ambiental, Agricultura Orgânica, Redes e Juventude. E com oficinas comunitárias estimulamos a prática de horta urbana, abordamos questões referentes a qualidade de vida e valorização da juventude. Estas atividades têm também o caráter de fortalecer as intervenções dos alunos no bairro Jardim Veneza.

 

3. Justificativa do projeto

A percepção e reconhecimento concreto da influência humana no processo de mudanças ambientais globais é relativamente recente. As alterações climáticas do planeta alcançaram nível tal que já demonstram, em forma de fenômenos naturais extremos, algumas das conseqüências do desequilíbrio ecossistêmico. O relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), divulgado em partes durante o ano de 2007, aponta com 90% de certeza que o aquecimento global é também resultado da ação humana. Porém as mudanças não são apenas ambientais, estas implicam adaptações nas condutas humanas no nível individual e coletivo, afetando também a realidade social, cultural, política.

A cultura, enquanto relação dos costumes de determinada sociedade, molda e é moldada pela concepção material do espaço e pela compreensão simbólica da convivência neste mesmo espaço. Portanto, a compreensão sistêmica desses fenômenos, isto é, as conexões existentes entre os impactos ambientais e os impactos sociais causadores e decorrentes, se faz mais necessário que nunca.

A produção de cultura, de conhecimento, é a vocação humana na Teia da Vida* e a educação é um elemento fundamental para a realização desta vocação humana. Não apenas a educação escolar, mas em seu sentido mais amplo (...) porque o processo educativo começa com o nascimento e termina apenas com a morte. Isto pode ocorrer no âmbito familiar, na comunidade, no trabalho, junto com seus amigos, nas igrejas etc. Os processos educativos permeiam a vida das pessoas (Graciano, 2005).

Ainda de acordo com Graciano, “os sistemas escolares são parte deste processo educativo (…). Por meio deles, conhecimentos essenciais são partilhados, normas, comportamentos e habilidades são construídos. Nas sociedades modernas, o conhecimento escolar é quase uma condição para sobrevivência e bem-estar social”. Portanto, ao contribuírem para a produção ou reprodução de valores e influem na definição dos modos de vida, têm lugar especial na transformação do pensamento.

A educação, considerada Direito Humano e dever do Estado, alcançou níveis satisfatórios de universalização no Brasil, porém em termos de qualidade, sobretudo no ensino público, a educação brasileira ainda está muito aquém no que diz respeito à preparação do alunos como cidadãos participativos e responsáveis da sociedade. São necessárias adaptações conceituais e metológicas que apontem para a construção de um novo projeto de sociedade, em que valores como cooperação, responsabilidade planetária, interdependência e sustentabilidade substituam a competição, as liberdades individuais, o egoísmo e a acumulação. Como diz a Carta da Terra, “necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial emergente”.

Este reforma educacional começou no Brasil com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/96), que prevê que tanto o currículo da Educação Infantil (RCNEI) quanto da Educação Fundamental tenham parâmetros nacionais. Estes devem ser rediscutidos e adaptado às características regionais e locais em cada sistema e estabelecimento de ensino, aproximando os conteúdos da realidade dos educandos.

Em 1997 foram lançados os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) para a educação fundamental e o Referencial Curricular Nacional da Educação Infantil (RCNEI). No caso dos PCNs, estes trouxeram não somente as áreas curriculares clássicas (Língua Portuguesa, Matemática, Ciências Naturais, História, Geografia, Arte, Educação Física e Línguas Estrangeiras), como também áreas que abordam questões da sociedade brasileira ( Ética, Meio Ambiente, Orientação Sexual, Pluralidade Cultural, Saúde, Trabalho e Consumo). Estes últimos podem ser entendidos como temas transversais, pois:

Tratam de processos que estão sendo intensamente vividos pela sociedade, pelas comunidades, pelas famílias, pelos alunos e educadores em seu cotidiano. (...) São questões urgentes que interrogam sobre a vida humana, sobre a realidade que está sendo construída e que demandam transformações macrossociais e também de atitudes pessoais, exigindo, portanto, ensino e aprendizagem de conteúdos relativos a essas duas dimensões.” (Brasil, 1998: 26)

Além de promover a relação entre acontecimentos locais e globais com os conteúdos da grade curricular, os temas transversais galgam uma intervenção ainda mais profunda no aspecto epistemológico do ensino. Eles articulam não hierarquicamente os conhecimentos científicos, importantes para a compreensão lógica e racional do mundo, e os saberes populares, fundamentais contra as descontinuidades do processo histórico causado, entre outros, pela fragmentação do conhecimento.

“(...) los temas tranversales son interpretados por diversos autores, como puentes entre el concimiento vulgar y el conocimiento científico, en sentido de conectar el académico con la realidad o los interesses del alumnado, lo que revertiría, en una mayor funcionalidad en los aprendizages.” (Gómez, 2007)

O Projeto Educomhorta traz como bases teóricas dois campos extremamente pertinentes para a prática da inter e transdisciplinaridade. Por meio da implantação da horta escolar, estabeleceremos um eixo pedagógico que, principalmente depois da reforma curricular, muitos educadores têm buscado aplicar para o comprometimento e a responsabilidade das crianças com o mundo e as pessoas, começando pelo cuidado com o ambiente escolar e com as relações humanas estabelecidas neste espaço.

 

4. Entrelaces difusos

4.1. PIJ - Protagonismo Infanto-Juvenil

Peruíbe desenvolveu durante dois anos o PIJ – Protagonismo Infanto Juvenil, com assessoria técnica do Instituto Paulo Freire (IPF). O objetivo foi inserir a Agenda 21 Escolar no planejamento pedagógico, organizando um grupo de alunos e realizando ações com a comunidade, porém com o passar dos anos parece ter havido um desestímulo nas escolas envolvidas e hoje, apenas uma escola (EMEF Jardim Veneza Monteiro) ainda tem o grupo em atividade.

Reforçar a implantação da Agenda 21 Escolar faz, então, do Projeto EduCOMhorta uma ótima estratégia para rejuvenescer o PIJ e aproveitar os aspectos positivos que ele deixou, remobilizando professores, coordenação pedagógica e alunos.

4.2. ProNEA – PROGRAMA NACIONAL DE EDUCAÇÃO AMBIENTAL (MEC/MMA)

a) Programa Vamos Cuidar do Brasil com as Escolas (MEC): Concretiza uma visão sistêmica da Educação Ambiental no Ministério da Educação, com ações estruturantes, difusas, presenciais e tecnológicas, baseada no Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA). Envolve a Conferência Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente (CNIJMA), a COM-VIDA – Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida, os Coletivos Jovens de Meio Ambiente, o Programa Educação de Chico Mendes, a Formação Continuada de Professores em EA e o projeto Ciências de Pés no Chão.

Desde a I CNIJMA, realizada em 2005, a adesão à construção da Agenda 21 Escolar como processo educativo calcado na organização dos alunos e na interação de todos os atores da comunidade escolar vem crescendo exponencialmente. A COM-VIDA, depois de formada, tem como principal função implementar a Agenda 21 Escolar e mobilizar para a realização das Conferências de Meio Ambiente na Escola.

b) Programa Juventude e Meio Ambiente – PJMA (MEC): O PJMA surge como estratégia de fortalecimento do debate e de ações socioambientais da juventude brasileira. Foi formulado a partir de pesquisa que identificou demandas, lacunas, perspectivas, anseios e potencialidades de jovens interessados na temática socioambiental, atuantes e não atuantes. As principais demandas identificadas foram agrupadas como questões de caráter técnico-formativo, organizacional e material (Brasil/OGPNEA, 2007: p5).

O Programa traz como pilares formativos Fortalecimento Organizacional, Educação Ambiental, Empreendedorismo, Educomunicação e Participação Política. Estes mesmos eixos são pilares da metodologia do Projeto EduCOMhorta, adaptando apenas o “Fortalecimento Organizacional” para “Reencantamento Humano”.

 

4.3. MUNICÍPIO VERDE

É um Projeto Estratégico da Secretaria Estadual de Meio Ambiente (SMA) que por meio de 10 diretivas objetiva enraizar uma estrutura de gestão compartilhada das políticas ambientais, articulando as esferas de governo municipal e estadual. Esgoto Tratado, Lixo Mínimo, Recuperação da Mata Ciliar, Arborização Urbana, Educação Ambiental, Habitação Sustentável, Uso da Água, Poluição do Ar, Estrutura Ambiental e Conselho de Meio Ambiente são as 10 Diretivas do Projeto, estabelecendo linhas comuns pelas quais os municípios devem investir seus esforços para a construção de uma agenda ambiental efetiva. Os Municípios que atendem positivamente a estas diretivas são reconhecidos por certificado como “Verdes”, e passam a ter prioridade na obtenção de recursos públicos.

No primeiro ano do Projeto, 614 municípios aderiram à proposta. Destes, apenas 332 preencheram todas as etapas do seu plano de ação, entre eles Peruíbe, e foram avaliados pela SMA. Com notas variando de 0 à 100, Peruíbe obteve 43,97 e ficou na 198º posição. Entre os municípios da Bacia Hidrográfica da Baixada Santista foi o terceiro melhor desempenho, acima de Itanhaém, Mongaguá e Guarujá; e abaixo de Santos e São Vicente (Praia Grande e Cubatão não aderiram). Porém, muito aquém do necessário para conquistar o título de “Município Verde”, ao corresponder positivamente somente às diretivas Conselho de Meio Ambiente e Estrutura Ambiental. Porém, sem considerar o fato de que o município possui um Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente que atualmente não está funcionando.

No quesito Educação Ambiental, o projeto determina a implantação de um Programa de EA na rede pública municipal de ensino, ponto que o Projeto EduCOMhorta pode fortalecer no município de Peruíbe, ao começar abrangendo escolas de ensino fundamental. E considerando as escolas como propícios espaços para a mobilização comunitária, pode contribuir também para o envolvimento da população nos mutirões ao desenvolver com os alunos campanhas de plantio de mudas, de sensibilização para a importância da coleta seletiva, uso racional da água e outros temas afins, além das Oficinas Temáticas que serão desenvolvidas com as comunidades.

 

4.4. PROGRAMA AGENDA 21 (MMA)

A Agenda 21 Brasileira foi concluída em 2002, está sendo implementada desde 2003 e integra o Plano Plurianual do Governo Federal (PPA) desde 2004. O PROGRAMA AGENDA 21, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem como ação prioritária a criação de Agendas 21 Locais para a construção dos Planos Locais de Desenvolvimento Sustentável. Tal proposta traz como princípio norteador a sustentabilidade, que deve compatibilizar a preservação do meio ambiente, a justiça social, o crescimento econômico, a participação e controle da sociedade como elementos para democratizar o direito à qualidade de vida.

Desde 2005, em parceria com FBOMS – Fórum Brasileiro de ONG's e Movimentos Sociais e outras instituições da sociedade civil, o MMA articula a REBAL – REDE BRASILEIRA DE AGENDAS 21 LOCAIS, organizada também nos estados da Federação. A REBAL articula horizontalmente os processos de Agenda 21 Locais em curso no país, promovendo sinergia e aprendizado coletivo por meio da troca de experiências e informações.

REDE PAULISTA DE AGENDAS 21 LOCAIS nasceu no processo de constituição da REBAL e hoje apresenta relevante capilaridade no estado. Na zona costeira, a REDE DE AGENDAS 21 DO LITORAL PAULISTA foi formada em abril do ano passado, com o intuito de estimular, apoiar e subsidiar a criação de Agendas 21 Locais nos municípios litorâneos.

A referência é a necessidade de se construir em determinados espaços territoriais (bairros, municípios, bacias hidrográficas), instrumentos de planejamento e gestão que busquem o desenvolvimento sustentável e, ao mesmo tempo, reforçar ações setoriais e atores que a própria Agenda 21 define como relevantes, como a Agenda 21 na escola, na empresa, no poder público, entre outros.

Peruíbe deu início ao seu processo de Agenda 21 no final de 2008 com o Encontro “Peruíbe 21 – Da Cidade que temos à cidade que queremos”. Ao trabalhar a formação de COM-VIDAS e estimular o desenvolvimento da Agenda 21 Escolar, o Projeto EduCOMhorta naturalmente fortalece a discussão sobre Agenda 21 na cidade, envolvendo jovens de forma proativa no processo.

 

5. Finalidade

A transformação da escola em um espaço de convivência comunitária, cooperativa e solidária, orientado por princípios ecológicos, fomentando o empoderamento juvenil, a ampliação do universo cultural, o acesso às novas tecnologias e a experimentação da vida pública.

 

6. Objetivos


6.1. Objetivo Geral

Fomentar a organização juvenil, estimular a educação alimentar com práticas agriculturais e fortalecer a capacidade de expressão dos alunos e o reconhecimento comunitário, contribuindo para o enraizamento de práticas participativas e emancipatórias, no engajamento e na atuação do jovem junto às questões socioambientais de sua comunidade escolar, envolvendo comunidade e professores.

 

6.2. Objetivos Específicos

• Formar Comissões de Meio Ambiente e Qualidade de Vida nas Escolas, enraizando processos de Agenda 21 Escolar;

• Implantar hortas escolares;

• Estimular o cultivo de alimentos em hortas urbanas nas comunidades, incentivando a adoção de hábitos alimentares saudáveis e conscientes;

• Fomentar o consumo sustentável;

• Ampliar a bagagem conceitual do corpo pedagógica para o desenvolvimento de processos de Educação Ambiental e Educomunicação;

• Contribuir com a construção de políticas públicas de juventude e educação ambiental;

• Envolver a comunidade no cuidado com o espaço escolar;

• Transformar a escola em um local agradável e interessante para a convivência comunitária;

• Intervir positivamente nos indicadores de desempenho dos educandos, ou seja, melhorar, significativamente, os resultados de aprendizagem.

 

7. Metas

inserir tabela

 

8. Público envolvido

• Estudantes do 6º ao 9º Ano (Ciclo III) da escola EMEF Jardim Veneza Monteiro;

• Professores da Rede Municipal de Ensino de Peruíbe;

• Comunidades do Jardim Veneza.

 

9. Produtos

• Horta Escolar;

• Coletivo de alunos aptos à percepção crítica e engajados no enfrentamento das questões socioambientais;

• Oito Oficinas Comunitárias Temáticas;

• Oito capacitações de 4h com os professores e coordenação das escolas envolvidas com o projeto;

• Dois Seminários Temáticos;

• Campanhas de promoção de temas relevantes para a qualidade de vida;

• Produtos de educomunicação como spots de rádio, fanzines, cartazes, boletins, panfletos etc;

• Blog para divulgação do projeto e as ações desenvolvidas;

• Concurso de Horta Urbana.

 

10. Metodologia

Serão realizadas cinco etapas complementares em que serão levantados dados sobre a qualidade de vida e as ações prioritárias para a comunidade escolar/município. Enquanto pressupostos ou referências metodológicas, considera-se o legado de Paulo Freire: educação popular, valorização da visão dos participantes, dialogicidade; e referências teóricas de Jean Piaget que visualiza o processo de aprendizagem a partir dos conceitos de organismos auto-reguladores, considerando sua escolha dos meios de adaptação, um processo dinâmico e contínuo.

 

10.1. Referenciais teóricos

 

EDUCAÇÃO AMBIENTAL

A EA tem por principal riqueza ser um campo aberto, em permanente construção. Assim, orientado por princípios ecológicos e valores éticos calcados numa mudança de paradigmas, a Educação Ambiental é fortalecida por práticas e reflexões nos mais diversos meios sociais e campos do saber. A perspectiva é a da mudança de atitudes, estilos de vida, procurando o reconhecimento de que somos sujeitos críticos e transformadores da complexa teia que é a realidade, e que ao transformar esta teia transformamos a nós mesmos.

Apoiados na abordagem de uma Educação Ambiental crítica e emancipatória, tomamos por referência o Tratado de Educação Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, documento orientador para educadores e educadoras ambientais de todo o mundo. Tanto que é a base teórica da Política Nacional de Educação Ambiental (Lei 9.795/99), guiando a atuação do Órgão Gestor da PNEA (MEC/MMA). Construído a centenas de mãos e concluído no Fórum Global da Sociedade Civil, evento paralelo à Conferência sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas (Rio 92), o Tratado concebe os pressupostos básicos para um novo paradigma no planeta, apresentando as dimensões para a construção da sustentabilidade: ecológica, econômica, social, cultural, ética e pedagógica.

Ele estimula uma reflexão sobre a responsabilidade de todos os atores com a capacidade de suporte do planeta, o que afeta diretamente a totalidade da espécie humana, não importando raça, credo, condição financeira e posição social. Num diálogo de construções coletivas, adotamos também a Carta das Responsabilidades Humanas como referencial teórico. A Carta é um documento internacional construído por aliados nos cinco continentes. É um pacto social que trata das responsabilidades individuais e coletivas nas interrelações humanas e com a biosfera, substituindo o conceito de direitos humanos por responsabilidade individual e planetária.

 

EDUCOMUNICAÇÃO

A mídia é um dos mais importantes elementos sociais que, ao fazer circular mensagens e informações pela sociedade, se configura como o elo que estimula a relação do indivíduo com a comunidade. A “sociedade da comunicação” tem na informação um de seus mais ricos produtos, o que dá base para a tomada de decisões, seja ela coletiva ou individual.

A presença cada vez mais marcante dos meios de comunicação de massa em nossas casas levantou a percepção de que a formação das pessoas não é mais uma tarefa exclusiva da família e da escola. Os símbolos, os valores e as idéias transmitidas pelos meios de comunicação influenciam diretamente em nossos comportamentos, pensamentos e sonhos. O rádio e a TV, principalmente, a todo instante nos ensinam o que é feio e o que é bonito, as coisas que devemos querer comprar.

As campanhas de sensibilização da comunidade, a divulgação das atividades, a relação com os parceiros, tudo isto demanda produção comunicativa. E esta produção deverá ser coletiva e conduzida pelos próprios alunos, ou seja, os protagonistas dos acontecimentos.

PEDAGOGIA DE PROJETOS

Como base apoio à valorização da participação do educando e educador no processo ensino-aprendizagem, o ensino através da elaboração, desenvolvimento e execução de projetos dá oportunidade aos educandos de participarem na decisão de como e do quê vão aprender, enquanto constroem a motivação intrínseca para criar soluções, debater idéias, coletar e analisar dados, estabelecendo conclusões, dando a eles liberdade para escolher estratégias inumeráveis de aprendizado e de participação no processo.

O espaço de aprendizado é estimulante e ventilado, alternativa ideal em que o educando desenvolve e explora ativamente seus conhecimentos, numa forma espontânea, diversificada e autodeterminada. O diagnóstico socioambiental participativo, a realização dos seminários e as intervenções comunitárias. São elementos de uma abordagem pedagógica ativa que incentiva os alunos a se tornar parte da solução e engajados construtores de novos conhecimentos, ativos aprendizes para toda vida.

 

10.2. Metodologia de Trabalho

A metodologia utilizada no projeto será baseada, em linhas gerais, na reunião de um conjunto de informações que abrangem vários aspectos: sociais, ambientais, econômicos e culturais característicos da região (comunidade escolar). Basicamente consistirá em três processos pedagógicos (alunos; comunidade; corpo docente) e cinco pilares metodológicos (Reencantamento humano, Educação Ambiental, Empreendedorismo, Educomunicação e Participação política), que envolverão o levantamento de dados sobre a comunidade, a troca de experiência entre os membros da equipe de trabalho e, principalmente, contará com a participação integrada de professores, comunidade e jovens em todo o processo de desenvolvimento do projeto.

 

a) Processos pedagógicos

 

Mobilização dos ALUNOS

O trabalho com os alunos será mediado por três eixos articulados. Com a COM-VIDA será desenvolvida a capacidade de organização e será estimulada a participação política e a experimentação da vida pública; a educomunicação focará a apropriação de tecnologias de informação e comunicação para o desenvolvimento de habilidades comunicativas e a capacidade de expressão, a crítica à mídia e construção coletiva de visões sobre a realidade; e a horta escolar é a sala de aula ao ar livre, onde os alunos são convidados a refletir sobre uma série de temáticas a partir de um viés inter e transdisciplinar, além de colocarem a mão na massa e aprenderem a cultivar e a reconhecer alimentos saudáveis e nutritivos. O trabalho diretamente com os alunos terá carga horária de seis horas semanais, além de atividades extras que podem surgir no decorrer do ano letivo e que contribuam com o ensino-aprendizagem.

 

Formação DE PROFESSORES

A Política Nacional de Educação Ambiental estabelece que a Educação Ambiental não deve ser uma disciplina, mas permear todos os níveis do processo educativo, o que demanda profundas transformações na abordagem pedagógica por parte daqueles que desejam enraizar práticas e reflexões socioambientais. Muitos pesquisadores apresentam como principal motivo para o insucesso de processos de Educação Ambiental a falta de qualificação dos professores para efetivar este necessário diálogo transdiciplinar, e dificuldades destes para aceitar mudanças didáticas. “(...) existe una diferencia entre lo que el individuo sabe y lo “cree” que sabe. Lo que indudablemente, puede estar afectando al processo de formación permanente del profesorado y a la enseñanza-aprendizaje en los alumnos (...) Lo que el professor ya sabe (ideas, creencias, habitos e comportamientos) puede actuar como obstáculo importante para un possible cambio didáctico.” (Gómez, 2006: p327)

Assim sendo, o Projeto EducomHorta planeja também um processo de formação para os professores, para tratar de temas relativos ao desenvolvimento das ações do projeto. Com isto, intui-se envolver os professores no trato com a horta e qualificar o projeto a partir da capacitação dos professores envolvidos com as atividades. Serão oito atividades mensais de formação, com carga horária de 4h cada, as quais poderão ser ministradas pelos próprios instrutores do projeto ou por parceiros da Ecosurfi.

 

Envolvimento COMUNITÁRIO

O envolvimento da comunidade é uma das premissas do Projeto EducomHorta, sem a qual não é possível estabelecer o cotidiano dos alunos como fio lógico para as aprendizagens da vida. A relação propositiva entre escola e comunidade e a transformação positiva dos espaços comunitários representam bases para a práxis do projeto, direcionando a ação-reflexão dos alunos para um terreno fértil em que a comunidade é o suporte para o processo educativo.

A estratégia é a realização de oito Oficinas Comunitárias mensais, com o objetivo de trazer a comunidade para dentro da escola, incentivar a prática da agricultura orgânica (estendendo a lida com a horta para a casa dos alunos) e o reaproveitamento de alimentos, fortalecer a escola como espaço de convivência e mobilização comunitária.

 

b) Pilares da metodologia

Desenvolvida em torno dos cinco eixos de Formação propostos pelo Programa Juventude e Meio Ambiente – MEC/MMA 2005 – construído cooperativamente em parceria com os Coletivos Jovens de Meio Ambiente estaduais e a Rede da Juventude pelo Meio Ambiente a Ecosurfi é integrante, o quadro abaixo ilustra a proposta e demonstra em categorias as conexões entre metodologia e objetivo:


inserir imagem pilares metodológicos


As cinco etapas da metodologia são:

• Etapa Preparatória – do Reencantamento Humano

• Etapa de Desenvolvimento – da Educação Ambiental

• Etapa Decisória – do Empreendedorismo

• Etapa Processamento e Síntese – da Educomunicação

• Etapa Acompanhamento e Desligamento – da Participação Política

 

10.3. Descrição das etapas metodológicas

a) Reencantamento Humano

Etapa Preparatória - Formação de jovens para criação e fortalecimento da COM VIDA

inserir tabela reencantamento

Constitui-se no referendo dos integrantes do projeto, formação e conscientização da equipe de trabalho e formulação do questionário e mapa base que será utilizado juntamente aos jovens participantes da comunidade escolar. Esta etapa do projeto requer a sensibilização das instituições participantes e, sobretudo, a “mudança de mentalidade” (competitivo para o cooperativo) entre os integrantes da equipe de trabalho.

A formação se dará através de exemplos e experiências já realizados no Brasil no que se refere ao desenvolvimento sustentável protagonizado por jovens. Os temas atravessarão os Acordos e Tratados Internacionais firmados pelo Governo Brasileiro e Sociedade Civil. A formação dos jovens nas escolas se dará com a pedagogia de projetos realizando oficinas e mini-projetos com a participação do coletivo.

 

b) Educação Ambiental

Etapa de Desenvolvimento – Pesquisa ação participante em torno das comunidades escolares

inserir tabela EA

Constitui-se no levantamento, reconhecimento do entorno, na sistematização e no Diagnóstico Socioambiental Participativo realizado pela equipe de trabalho. No decorrer desta etapa haverá a realização de reuniões que visam à primeira avaliação e o aprimoramento da divulgação das atividades e dados obtidos no diagnóstico.

As oficinas de Mapa Verde ampliarão a capacidade dos jovens de observar, sintetizar e comunicar suas impressões e opiniões. Expandem as possibilidades de relação com o ambiente e sua comunidade, demonstrando que poucos recursos, bem gerenciados, podem realizar grandes transformações a médio-longo prazo.

A metodologia sugere a execução de 01 Seminário Temático que ampliará o conhecimento da comunidade escolar em relação a abordagem escolhida. A busca é tratar dos questionamentos e propostas levantados na II e III Conferencia Nacional Infanto-Juvenil pelo Meio Ambiente e aprofundar outros temas.

 

c) Empreendedorismo

Etapa Decisória – Oficina de futuro e seminários

inserir tabela empreendedorismo

Constitui-se na realização de uma Oficina de Futuro na qual irá envolver a equipe de trabalho e a comunidade escolar local, sendo definidas as ações prioritárias bem como a responsabilidade que cada jovem tem com a preservação e cuidado da qualidade do ambiente e dos recursos naturais em que vive. Esta responsabilidade deve ocorrer tanto na forma direta, mudanças de hábitos, como na forma indireta, saber cobrar e lembrar as autoridades locais e órgãos governamentais os seus direitos.

A Oficina de Futuro será realizada com o grupo de agentes socioambientais da escola e tem nesse momento a possibilidade de integrar o coletivo em um caminho comum com o desenvolvimento de pesquisas de aprofundamento dos conhecimentos construídos na elaboração do Mapa Verde. Cabe salientar que o sucesso do projeto está ligado a capacidade que a equipe possui de adequar objetivos e estratégias de implementação a um processo continuo de observação e aprendizagem.

 

d) Educomunicação

Etapa de Processamento e de Síntese dos Resultados - Educomunicação Socioambiental

inserir tabele educom

Constitui-se na revisão, aprimoramento e processamento de todas as atividades, além de por em prática as ações prioritárias formuladas pela comunidade local e orientadas pela equipe de trabalho. Contemplando a proposta de educomunicação, o projeto visa estimular os participantes à aquisição de competências em meios e instrumentos de comunicação e informação. Para tal prevê a utilização de spots de rádio, mídias impressas, digitais e internet, possibilitando que o indivíduo tenha o acesso a informações potencialmente impactantes em seu processo de aprendizado e que também possa fazer uso das tecnologias de informação e comunicação para veicular seus próprios conteúdos.

Isto se tornará possível através de estimulo à participação dos alunos no Blog EduCOMhorta - www.comvida-peruibe.blogspot.com, em que serão divulgadas as ações do projeto, e no Portal Educomunicativo Flecha de Luz - www.flechadeluz.org, no qual serão divulgadas as informações sobre o processo para a rede de Juventude e Meio Ambiente do Brasil, fomentando o intercambio entre os participantes e outras redes.

e) Participação Política Etapa de Acompanhamento e de Desligamento da Equipe de Trabalho – Formação de Grupos de Articulação e equipe de projetos da comunidade

inserir tabela formação política

Constitui-se na obtenção gradual da autonomia da comunidade escolar e da COM-VIDA localmente instituída no processo de ações práticas ambientais, mobilização e organização social. Esta etapa compreende também a divulgação e a apresentação dos resultados do projeto para a sociedade em geral com a realização do Seminário Comunitário – Oficina de Futuro com a comunidade.

10.4. Cronograma completo

inserir tabela cronograma

 

11. Indicadores de Desempenho

inserir tabela de indicadores

 

12. Plano de Comunicação

Inserir tabela PC

 

13. Orçamento

Inserir tabela orçamento

 

14. Referências Bibliográficas

GÓMEZ, Javier Garcia. De la transversalidad a la Agenda 21 Escolar. In Perspectivas da Educação Ambiental na Região Ibero-Americana / do V Congresso Ibero-americano de Educação Ambiental. Rio de Janeiro: Associação Projeto Roda Viva, 2007.

Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais : terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais / Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1998.

Carta da Terra

Brasil. Órgão Gestor da Política nacional de Educação Ambiental. Juventude, cidadania e meio ambiente: subsídios para elaboração de políticas públicas. / Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Educação. – Brasília: UNESCO, 2006.

Brasil. Órgão Gestor da Política nacional de Educação Ambiental. Mapeamentos, diagnósticos e intervenções participativas no socioambiente - Série Documentos Técnicos / Órgão Gestor da Política Nacional de Educação Ambiental; Ministério do Meio Ambiente; Ministério da Educação. – Brasília: UNESCO, 2006.

PEREIRA, Willian Cesar Castilho. Dinâmica de grupos populares. 18ª edição. Petrópolis: Editora Vozes, 2002.

 

 

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