Um rio é como um espelho que reflete os valores e comportamentos da nossa sociedade. Você já olhou para o rio da sua cidade hoje? (Veja matéria abaixo sobre canalização do rio Jundiaí, Bacia PCJ. Veja também no Caxamblog http://forumcaxambu.blogspot.com/ uma comparação entre alguns rios, incluindo o Cheonggyecheon, de Seul e o Rio Jundiaí. E veja mais fotos da canalização do rio Jundiaí, córrego Walquirias e a revitalização do Cheonggyecheon em:http://socioambiental.ning.com/photo/album/list)
Rio Jundiaí Canalização rouba o pouco de vida que resta ao Rio Jundiai
A garça observa perplexa o destino do rio que está acostumada a frequentar. As margens cedem lugar ao concreto. Os paredões sobem acima do nível da rua, não resta lugar para faixa de grama como nos trechos mais antigos. O fundo do rio também é concretado, contrariando afirmação da FUMAS em matéria publicada no Jornal da Cidade de 19/08/2008. No site da prefeitura, a mesma matéria afirma que o próximo trecho canalizado será pior ainda: "obras de canalização do Rio Jundiaí, no Parque Xangai...estão sendo colocados gabiões, revestidos de concreto. A obra...terá um total de um quilômetro de extensão...executada pela empresa Jofegê e tem formato trapezoidal.
Ela vai até as proximidades da ponte, quando ganhará formato quadrado" Ao final das obras do PAC o rio permanecerá como está: morto, mesmo depois de 25 anos de criação do comitê para despoluição. Do total do dinheiro disponibilizado pelo governo federal visando obras de Saneamento, nenhum real será aplicado em melhorias reais do sistema. A quase totalidade das obras privilegia bairros nobres e empreendimentos imobiliários, previstos ou em implantação. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Seul dá exemplo de despoluição e renaturalização de rios ( http://ecourbana.wordpress.com/2008/09/15/seul-limpa-rio-poluido-em-tempo-recorde/.)
E bem próximo daqui, Amparo e Sorocaba seguem a cartilha da sustentabilidade, com projetos apropriados ao século XXI (veja abaixo). Ironicamente, a DAE comemora a Semana do Rio Jundiaí jogando alevinos na represa, enquanto o rio recebe mais uma pá de cal e segue esquecido rumo ao Tietê. Fórum Caxambu - Paulo R. F. Dutra Para sanear rios, Amparo e Sorocaba têm ações especiais
Veículo: O Estado de S. Paulo | Editoria: Metrópole | Página: C6 | Autoria: Tatiana Fávaro - 15/09/2008
A prefeitura de Amparo, cidade do Circuito das Águas localizada a 130 quilômetros da capital paulista, espera concluir em outubro as obras do parque linear em execução desde o início do ano passado. O projeto completo prevê a construção de áreas de lazer nas duas margens do Rio Camanducaia. Com R$ 4,6 milhões do orçamento municipal e dos governos federal e do Estado, um trecho de 1.700 metros da Avenida Doutor Carlos Burgos foi duplicado, e a meta é concluir pistas de corrida, skate, quadra de areia, ciclovia, áreas com brinquedos e aparelhos para ginástica.
O projeto de revitalização do Camanducaia não se limita à construção de um parque. Ao mesmo tempo em que as obras para o lazer começaram, em 2007, a prefeitura também deu início à construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da cidade. Segundo informou o Departamento de Obras da prefeitura, Amparo tinha 91 pontos de saída de esgoto in natura para o rio antes da ETE.
O projeto prevê a erradicação desses pontos e tratamento de 100% de esgoto. A estação, em fase final de instalação, recebeu R$ 13 milhões do Ministério das Cidades, financiados pela Caixa Econômica Federal. A prefeitura deu contrapartida de R$ 1,5 milhão, de acordo com dados divulgados pela assessoria. Em um período de 19 meses de obras, a previsão é de ter concluído cinco prédios, 9.844 metros de interceptores (3.938 tubos) e movimentado 205.199 metros cúbicos de terra para fazer as lagoas da estação.
SOROCABA A 100 quilômetros de São Paulo, Sorocaba também investe recursos próprios e de financiamentos de projetos de saneamento do governo federal no Programa de Despoluição do Rio Sorocaba, iniciado em 2000 e com término previsto para o ano que vem. O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) informou que o objetivo é usar R$ 150 milhões para interceptar todo o esgoto produzido na cidade (antes despejado no rio) e enviar para tratamento. A previsão é concluir sete estações. Hoje, três estão em funcionamento, o que significa 50 milhões de litros de esgoto (60% do que é produzido na cidade) tratados por dia. O processo permitirá investimentos em lazer, turismo, transporte e reurbanização ao redor do Sorocaba e seus afluentes.

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