Flecha de Luz

relato do encontro de Paranapiacaba (nunca é tarde)

Olá coletividade, 

é com o coração que escrevo.

Bom, em primeiro lugar quero dizer que está linda nossa poesia e que ela me inspirou para escrever o relato sobre o nosso encontro e seguir.

Demorei, porque eu fiquei um bom tempo sem ler meus e-mails e responder com calma tudo. Mas resolvi escrever esse relato sobre o encontro de Paranapiacaba. Afinal, nunca é tarde para fazer o que se sente. A verdade é que esse encontro foi bem forte pra mim. O lugar e o momento histórico desse encontro “mais que necessário” foi fundamental para me provocar algo que vou tentar explicar aqui.

Paranapiacaba é uma referência que sempre tive de revitalização urbana e de política pública, além disso, descobri ao conversar com os moradores, que parte do distrito passou a ser propriedade pública e que não há um banco, ou caixa eletrônico naquele lugar. Ao mesmo tempo vivemos uma crise econômica mundial, em que todo o dinheiro (ireal) que é especulado na bolsa de valores, desapareceu. E a economia real determinada pelo “mundo mágico do mercado financeiro global” entrará em crise, mais uma vez!

Isso tudo me fez imaginar Paranapiacaba de outro jeito. Por seu “isolamento” do centro da cidade (por existirem mais 3 cidades antes do Centro de Santo André) poderia se criar uma moeda local que facilitasse as trocas. Porém, uma “Moeda da Vila” e que só circulasse ali. Assim a economia local seria aquecida ao passo que os moradores valorizassem comprar produtos, serviços ou saberes ali da vila mesmo, ao invés de importar de outro lugar. Isso é possível, se as pessoas possuírem a moeda, e assim, quanto mais a moeda passa de mão em mão, aumenta a riqueza do lugar. Mas para isso é preciso criar um lastro, em outras palavras, uma juntar uma quantidade inicial de bens, em qualquer forma de riqueza, de um grupo de pessoas que se reúnam freqüentemente para dar valor à moeda. Como numa feira.

Estou falando tudo isso, porque como disse no meu relato no sábado pela "manhã", me identifiquei com os CJ Caiçara quando eu ainda era estagiária no Porto de Santos e estava questionando o modelo de desenvolvimento portuário brasileiro (e mundial) e, o próprio modelo de desenvolvimento econômico. Então, passei a me lembrar, de que “Um outro mundo é possível”, que percebi, quando fui pela primeira vez a um “encontro”: o Fórum Social Mundial.

De lá pra cá a Economia Solidária vem servir de motivação para eu seguir em frente na busca por mudanças culturais, sociais e econômicas.  

Não vou aqui descrever contradições do sistema capitalista, porque todos vocês devem ter clareza do que se trata. O que importa aqui é dizer o quanto Paranapiacaba me fez resgatar coisas que percebemos no “Entre-mundos” lá na Vila Élvio.

No “Entre-mundos” falamos sobre como criar e gerir recursos financeiros e solidários para os coletivos jovens, para a juventude militante e para o mundo real! (né Bruninho, Diego?) E até apostamos na minha força nessa frente. De lá pra cá não agi, não tive coragem de abraçar esse desafio coletivo.

Essa coragem, só irei encontrar, quando eu conseguir superar alguns conflitos como a minha própria sobrevivência, por conta de uma contradição que ainda tenho entre o mundo real e um outro mundo possível.

No nosso encontro, voltei no tempo. Voltei até a época da primeira ferrovia que levava o café até o porto. Parei no tempo, no tempo onde as pessoas sentem a sincronicidade das coisas.

Em Paranapiabaca consegui avistar o mar como diria o Guarani. Um Mar de onde vim e de onde todos os dias as riquezas vão e vem.

 

Eu sou a Marccella,

Caiçara e educadora de uma nova economia,

assim eu falei.

How!!

 

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