Flecha de Luz

Região precisa estudar o impacto do progresso

Notícia publicada na edição de 12/05/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 6 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h. 
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  • EMÍDIO MARQUES/ARQUIVO Crescimento industrial deve ser pautado em estudos de impacto socioambiental

A declaração publicada ontem, do secretário de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Hamilton Pereira, de que a região de Sorocaba pode vir a se tornar o próximo ABC paulista, devido ao impacto do crescimento desenfreado de indústrias, não é defendida apenas pelo secretário. Ambientalistas da região também alertam para um futuro nada confortável, caso estudos de impacto socioambiental não sejam realizados diante desta realidade.

O desafio é segurar a expansão da região metropolitana de São Paulo, diagnosticou o biólogo, membro do Conselho Gestor da Área de Proteção Ambiental (APA) de Cabreúva, Cristiano Andreazza, que participou da 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente (Cnma), em Brasília, sobre Mudanças Climáticas. Segundo ele, este é o desafio para que a região de Sorocaba não sofra com o desenvolvimento acelerado. Como disse, é necessário negar a pressão urbanística de desenvolvimento e realizar estudos de impacto, para que a região não se torne o novo ABC, como previu o secretário Hamilton Pereira.

Andreazza explicou que a região encontra-se dentro do arco de expansão da região metropolitana de São Paulo, que já está saturada. Deste modo, os empreendimentos tendem a escoar para as cidades como Sorocaba, Cabreúva, Itu e Salto.

Como relatou, a expansão do setor industrial e imobiliário nestes locais é, na maioria das vezes, realizado sem um estudo de impacto na região. As questões econômicas sobrepõe-se às questões sociais e ambientais, disse ele referindo-se que há liberação para a chegada destes empreendimentos, muitas vezes apenas visando o retorno financeiro e, baseando-se na quantidade de condomínios que estão instalando-se. Andreazza atentou para o fato de a região vir a tornar-se dormitório, já que grande parte das pessoa que compram casas nestes condomínios trabalham na capital.

Para o biólogo, um dos mais relevantes aspectos desta invasão sem controle foi na própria cultura regional. Acabamos com a agricultura. Não há políticas de desenvolvimento agrícola para o pequeno agricultor. Quando há é para a produção de cana-de-açúcar, mas esta só funciona em grandes propriedades, disse ele que explicou também que esta pressão pelo desenvolvimento está mudando o perfil da região, que era agrícola. 80% das cidades da região hoje concentram-se nas áreas urbanas. Para ele, é necessário um Plano Diretor prevendo o zoneamento agrícola.

Andreazza explicou que, para que seja construído em determinado local, é necessário uma certidão de uso e ocupação do solo, que é emitido pela Prefeitura. Logo, se há problemas de impacto, tudo começa no próprio poder público que concede licença sem realizar um estudo com técnicos especializados para saber quais os impactos, tanto sociais quanto ambientais, poderão ocorrer com a instalação de determinado empreendimento. Para o município o investimento é interessante, mas este não pode ser mais importante do que as pessoas e o meio ambiente, defendeu.

 

Sociedade e meio ambiente

 

Para o biólogo, há diversos segmentos na região que precisam ser revistos, considerando o impacto socioambiental que o desenvolvimento pode acarretar. Ele considerou como relevante o fortalecimento dos roteiros turísticos regionais que entendam a vocação natural e o alto potencial de desenvolvimento sustentável da região, assim como alguns problemas que precisam ser superados nas áreas rurais, e citou como exemplo a o reflorestamento de eucaliptus e a questão da monocultura da cana-de-açucar.

Na questão social, Andreazza reforçou a necessidade em se criar uma cultura participativa, com espaços e valorizar os saberes tradicionais viabilizando políticas públicas de valorização a estes saberes. Um bom exemplo é a questão da instalação da hidrelétrica Tijuco Alto, no Vale do Ribeira, onde a mobilização social está freiando o desenvolvimento econômico a qualquer custo, para proteger o meio ambiente, exemplificou.

Também sublinhou a educação ambiental, com difusão da informação, criação de uma cultura crítica e visão socioambiental, para que o ambiente não seja discutido separado do homem, bem como reconhecimentos dos pontos estratégicos como mananciais, microbacias, parques, florestas e áreas verdes da região. Para o biólogo, é preciso que sejam fortalecidas as unidades de conservação já existentes e criados novos parques florestais.

A repórter Maíra Fernandes viajou a convite da 3ª Conferência Nacional do Meio Ambiente


Comentários

Cristiano Andreazza [ 12/05/2008 ]

AHHHH Maíra!

 

Acho que as alterações feitas na matéria comprometeram bastante a qualidade da notícia. Em notícias de conteúdo técnico é muito importante que os termos técnicos sejam mantidos para que ela tenha credibilidade no meio técnico. Ao dizer que não são feitos estudos de impacto ambiental isto é facilmente contestado porque todos os empreendimentos de impacto ambiental significativo passama pelo crivo do DAIA (Departamento de Avaliação de Impactos Ambientais) que é um órgão técnico do Estado criado justamente para isto e que faz a sua avaliação em cima de um "Relatório de Impacto Ambiental" e que é apresentado resumidamente na forma de um "Estudo de Impacto Ambiental", o famoso EIA-RIMA. Na entrevista eu citei "Estudos de Capacidade Suporte", que é justamente uma projeção de quanto uma cidade, ou uma região, em nível macro, suportaria as pressões do crescimento.

Por exemplo, qual a quantidade de esgoto que a estação de tratamento consegue tratar, quanto lixo o aterro suporta e assim por diante. Em cima destes dados e da estrutura de que as cidades dispõem para fazer estes trabalhos hoje, se pode planejar a ocupação e os usos futuros pretendidos, para a gestão das águas, do aterro, etc. Acho que esta foi uma falha grave, mas já foi.

Acho também que as gestões desejadas também poderiam ter sido mais valorizadas para não cair no velho discurso de só reclamar e não propôr soluções viáveis. Neste sentido uma abordagem que citasse o Roteiro dos Bandeirantes, o Caminho do Sol, A Rota dos Tropeiros como alternativas viáveis, além demontrar uma atitude pro-ativa na resolução dos problemas, faria a propaganda regional destes roteiros, já que é justamente desta falta de apoio que estamos reclamando nesse assunto. Então é isto. Espero que esta crítica seja encarada de maneira positiva, pelo aprimoramento dos conteúdos, pelo comprometimento e para que não acabemos cometenos os mesmos erros daqueles a quem dirigimos nossas críticas. Um abraço, Cristiano.

 

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