E hoje ao fazer minha exploração diária do blog do prof. Carlos Serra em http://www.oficinadesociologia.blogspot.com, pincei esta que chega a contento. O texto segue na íntegra:
Talvez possamos dividir os partidos convencionalmente chamados de oposição em Moçambique em três grandes campos, o que se segue é um desenho preliminar, muito provisório, ainda cheio de lacunas, espero que - apesar disso - propício ao debate:
Partidos da oposição estrito senso: por agora são talvez apenas dois ou três, procuram não fazer compromissos, vencer o enorme e diversificado poder do partido no poder e gerir o Estado são os seus objectivos, o seu discurso de luta é frontal ainda que dependam parcialmente dos fundos estatais para as campanhas eleitorais. Terei ainda de analisar melhor as suas estratégias de luta, eventualmente trabalhar com os conceitos gramscianos de "guerra de movimento" e de "guerra de posição" (citando Gramsci em relação à Índia: “A resistência passiva de Gandhi é uma guerra de posição, que se torna guerra de movimento em certos momentos e, em outros, guerra subterrânea: o boicote é uma guerra de posição, as greves são uma guerra de movimento, a preparação clandestina de armas e de elementos de combate destinados aos ataques é uma guerra subterrânea..."
Partidos cavalos de tróia: partidos que procuraram ser da oposição mas cuja função nos últimos anos é a de servirem de cavalos de tróia, procurando minar a real oposição e glosando frontalmente o partido no poder. Surgem com algum ruído no "Notícias" nas épocas eleitorais, ainda que dois ou três dos seus dirigentes tenham uma habitação pós-eleitoral mais permanente nesse jornal. Dependem exclusivamente dos fundos estatais para as campanhas eleitorais. Nunca conseguiram assentos parlamentares.
Partidos gelatinosos-hibernadores: sem filiação definida, ambíguos, sem visibilidade jornalística, totalmente dependentes dos fundos eleitorais. Surgem fugazmente, por vezes assemelham-se à limalha-Janus acenando ao mesmo tempo para o partido no poder e para os reais partidos da oposição para, depois, como alguns cometas, desaparecerem, hibernando até ao próximo ciclo eleitoral."
para pensar: http://www.oficinadesociologia.blogspot.com
Perguntar não ofende: se eu formar um partido junto com um punhado de compadres, também ganharemos financiamento público de campanha? Agradeço desde já a quem me elucidar.



